Desde o início do ano entrou em vigor uma nova reforma ortográfica, proposta desde 1990, e que visa uma integração de todos os países que falam o português.
Não poderíamos passar muito bem sem mais essa?
Afinal, tentar unificar a língua de um País – que devido a sua grandeza geográfica e as várias matizes de sua colonização às vezes parece que nem todos falam a mesma língua – com a de outros sete Países através de uma reforma ortográfica parece que é uma resolução que não leva em consideração o fato de que a língua (e suas mudanças) é algo que vem do povo, da cultura e dos costumes da população, e não algo que pode ser ditado de cima para baixo. Ou de fora para dentro.
Todos nós sabemos que nossas regras ortográficas e gramaticais são tão complexos que por vezes deixam em dúvida até mesmo professores e profissionais de letras. Então, qual o sentido de confundir ainda mais mudando as regras de fora para dentro?
Será que o (nosso) dinheiro que o governo gastará com a reforma (não vou explicar) não seria muito melhor usado em investimentos para que todos os habitantes do nosso País soubessem ao menos as regras básicas de fala e escrita?
Se os governos dos países de língua portuguesa querem unificar seus povos, não seria mais fácil começar no âmbito da cultura? Por que, ao invés de reformar a língua deixando a população ainda mais perdida quanto ao seu próprio idioma (e quando falo em população refiro-me a todos e não apenas aos jovens em idade escolar) não se cria um contato maior com as músicas e filmes de Portugal e Moçambique, por exemplo? Por que não facilitar para o nosso povo (e para o deles) um intercâmbio maior com esses países?
Os únicos que têm motivos de sobra para comemorarem são os donos de editoras e gráficas.
Nós continuaremos, ainda por muito tempo, escrevendo uma coisa e ouvindo nosso cérebro ditar outra.
Em suma, nessa jogada o povo mais uma vez foi preterido. Seria muito mais sadio para a nossa soberania se assumíssemos que possuímos uma língua própria, com todas as miscigenações e desvios que formaram a nossa identidade, e não a de nossos colonizadores. A unificação na prática não acontecerá, até porque a pronúncia das palavras não sofreu nenhuma alteração.
Pois como já dizia Noel Rosa: “ tudo aquilo que o malandro pronuncia com voz macia é brasileiro, já passou de português.”
sábado, 24 de janeiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
CELSO E O BALANÇO DA DESINFORMAÇÃO
Ainda falando do caso Cesare Batistti e o serviço de manipulação e desinformação prestado pela imprensa brasileira e analisado no meu texto "Desinformação", o texto "Balanço final de uma pequena epopéia" do incansável Celso Lungaretti, que lutou com unhas e dentes pela não extradição de Battisti, faz um balanço do comportamento da nossa impren$a e suas verdadeiras intenções nesse caso:
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/01/balano-final-de-uma-pequena-epopia.html
Boa leitura!
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/01/balano-final-de-uma-pequena-epopia.html
Boa leitura!
domingo, 18 de janeiro de 2009
DESINFORMAÇÃO
Baudelaire escreveu: “Não compreendo que uma mão pura possa tocar num jornal sem uma convulsão de asco.”.
Neste início de ano a grande imprena brasileira deu sinais de ser digna dessa convulsão de asco na cobertura de dois acontecimentos: os ataques de Israel em Gaza e a não extradição de Cesare Battisti.
Tudo bem que todos nós sabemos que imparcialidade na imprensa é praticamente um conto de fadas, uma utopia que habita os corações dos vestibulandos de comunicação e que cai por terra, junto com os cabelos, logo nos primeiros dias de aula, mas daí a apresentar sempre dois pesos e duas medidas é desprezar o poder de discernimento do receptor.
Vejamos o caso dos ataques: será que se a chamada ofensiva fosse feita pelo Irã, seria tratada apenas como uma ofensiva, uma resposta à ataques, uma tentativa de paz? Ou os âncoras, colunistas e correspondentes estariam a soltar bravatas sendo a palavra “terrorista” repetida duas vezes em cada frase? O quer faz dos ataques do Hamas a Israel terrorismo e os de Israel, simples ofensiva? Por que para a nossa grande mídia alguns países têm direito a matar quem quiser e outros só têm o dever de receber os ataques?
Mais escandaloso ainda é o caso de Cesare Batistti. Como se não bastasse a nossa impren$a (a mesma que no caso do gás boliviano defendeu com unhas e dentes a nossa soberania que, segundo o ponto de vista deles, estava sendo ameaçada) tomar partido do governo Berlusconi em detrimento da nossa constituição – que assegura que nenhum estrangeiro vítima de perseguição política será extraditado - ainda deram um show se omissão, covardia e deturpação dos fatos. Batistti foi tratado o tempo inteiro como “terrorista”, além de o fato de ele ter sido julgado à revelia por um tribunal de exceção, fato admitido até mesmo pelo ex-presidente da Itália, e, portanto senador vitalício Francesco Cossiga, não impediu que ele fosse tratado como assassino (justiça seja feita: a TV Globo mostrou a declaração de Cossiga em favor de Battisti). Quanto ao desrespeito italiano de pedir que o presidente Lula “passasse por cima” do ministro Tarso Genro e extraditasse o perseguido foi noticiada, no costumeiro tom subserviente, como uma atitude normal de um patrão que não tem sua ordem cumprida pelo subalterno.
Como se não bastasse toda a confusão de fatos e posições, alguns (tele)jornalões ainda foram resgatar o caso dos lutadores de box cubanos que queriam asilar-se no Brasil e, segundo a nossa imprensa, foram mandados de volta para as mãos do “sanguinário” governo cubano. Omitiram como já haviam omitido na época, que os lutadores voltaram para Cuba por livre e espontânea vontade, segundo relatório da Polícia Federal e entrevista de um deles ao Granma e que o Brasil concedeu asilo a outros atletas cubanos no mesmo Pan. Curioso é o seguinte: por que o governo errou ao mandar os cubanos de volta e errou de novo ao tomar atitude contrária com Battisti. Por que os cubanos deveriam ficar – mesmo contra a vontade – e o escritor italiano tem que ser mandado de volta? A Band, a mesma que julgou uma desumanidade os cubanos voltarem para Cuba, chegou a usar em seu editorial a palavra “covardia” para classificar a atitude do nosso governo. Não seria uma covardia muito maior se render aos interesses italianos, colocando-os acima, inclusive, da nossa constituição? Foi covarde também a França de Miterrand quando se negou a entregar o mesmo Battisti? Por que a França de Sarkozi negar a extradição de Marina Petrella, a pedido de Carla Bruni e sua irmã (ambas italianas, para os que querem colocar o fato como uma ofensa ao povo italiano) é um ato de humanismo e o governo Lula negar a extradição de Battisti (também doente) é uma covardia? Por que ao invés de condenar Battisti e apoiar o tribunal de exceção a nossa impren$a não trouxe de volta à cena a operação Gládio (apurada em 2000 em um inquérito parlamentar) promovida pelos serviços secretos norte-americanos que praticavam crimes contra civis, sob falsa bandeira, para culpar os comunistas e justificar os tribunais de exceção?
Como vemos a prioridade da nossa grande impren$a são seus próprios intere$$es, os de seus patrocinadores e daqueles que a alimentam politicamente, a última preocupação (se é que existe!) é a informação pública.
Público esse, que embora não saiba, é o verdadeiro dono da concessão.
Por essas e outras é que se faz urgente uma revisão no sistema de doação e renovação das concessões públicas dos meios de comunicação no Brasil.
Neste início de ano a grande imprena brasileira deu sinais de ser digna dessa convulsão de asco na cobertura de dois acontecimentos: os ataques de Israel em Gaza e a não extradição de Cesare Battisti.
Tudo bem que todos nós sabemos que imparcialidade na imprensa é praticamente um conto de fadas, uma utopia que habita os corações dos vestibulandos de comunicação e que cai por terra, junto com os cabelos, logo nos primeiros dias de aula, mas daí a apresentar sempre dois pesos e duas medidas é desprezar o poder de discernimento do receptor.
Vejamos o caso dos ataques: será que se a chamada ofensiva fosse feita pelo Irã, seria tratada apenas como uma ofensiva, uma resposta à ataques, uma tentativa de paz? Ou os âncoras, colunistas e correspondentes estariam a soltar bravatas sendo a palavra “terrorista” repetida duas vezes em cada frase? O quer faz dos ataques do Hamas a Israel terrorismo e os de Israel, simples ofensiva? Por que para a nossa grande mídia alguns países têm direito a matar quem quiser e outros só têm o dever de receber os ataques?
Mais escandaloso ainda é o caso de Cesare Batistti. Como se não bastasse a nossa impren$a (a mesma que no caso do gás boliviano defendeu com unhas e dentes a nossa soberania que, segundo o ponto de vista deles, estava sendo ameaçada) tomar partido do governo Berlusconi em detrimento da nossa constituição – que assegura que nenhum estrangeiro vítima de perseguição política será extraditado - ainda deram um show se omissão, covardia e deturpação dos fatos. Batistti foi tratado o tempo inteiro como “terrorista”, além de o fato de ele ter sido julgado à revelia por um tribunal de exceção, fato admitido até mesmo pelo ex-presidente da Itália, e, portanto senador vitalício Francesco Cossiga, não impediu que ele fosse tratado como assassino (justiça seja feita: a TV Globo mostrou a declaração de Cossiga em favor de Battisti). Quanto ao desrespeito italiano de pedir que o presidente Lula “passasse por cima” do ministro Tarso Genro e extraditasse o perseguido foi noticiada, no costumeiro tom subserviente, como uma atitude normal de um patrão que não tem sua ordem cumprida pelo subalterno.
Como se não bastasse toda a confusão de fatos e posições, alguns (tele)jornalões ainda foram resgatar o caso dos lutadores de box cubanos que queriam asilar-se no Brasil e, segundo a nossa imprensa, foram mandados de volta para as mãos do “sanguinário” governo cubano. Omitiram como já haviam omitido na época, que os lutadores voltaram para Cuba por livre e espontânea vontade, segundo relatório da Polícia Federal e entrevista de um deles ao Granma e que o Brasil concedeu asilo a outros atletas cubanos no mesmo Pan. Curioso é o seguinte: por que o governo errou ao mandar os cubanos de volta e errou de novo ao tomar atitude contrária com Battisti. Por que os cubanos deveriam ficar – mesmo contra a vontade – e o escritor italiano tem que ser mandado de volta? A Band, a mesma que julgou uma desumanidade os cubanos voltarem para Cuba, chegou a usar em seu editorial a palavra “covardia” para classificar a atitude do nosso governo. Não seria uma covardia muito maior se render aos interesses italianos, colocando-os acima, inclusive, da nossa constituição? Foi covarde também a França de Miterrand quando se negou a entregar o mesmo Battisti? Por que a França de Sarkozi negar a extradição de Marina Petrella, a pedido de Carla Bruni e sua irmã (ambas italianas, para os que querem colocar o fato como uma ofensa ao povo italiano) é um ato de humanismo e o governo Lula negar a extradição de Battisti (também doente) é uma covardia? Por que ao invés de condenar Battisti e apoiar o tribunal de exceção a nossa impren$a não trouxe de volta à cena a operação Gládio (apurada em 2000 em um inquérito parlamentar) promovida pelos serviços secretos norte-americanos que praticavam crimes contra civis, sob falsa bandeira, para culpar os comunistas e justificar os tribunais de exceção?
Como vemos a prioridade da nossa grande impren$a são seus próprios intere$$es, os de seus patrocinadores e daqueles que a alimentam politicamente, a última preocupação (se é que existe!) é a informação pública.
Público esse, que embora não saiba, é o verdadeiro dono da concessão.
Por essas e outras é que se faz urgente uma revisão no sistema de doação e renovação das concessões públicas dos meios de comunicação no Brasil.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
GENTILEZA
“Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza, a palavra no muro ficou coberta de tinta...”
Saudades de Gentileza. Saudades da gentileza.
O início de um novo ano, com direito a arrastões, quebra-quebras, saques e espancamentos em pleno Dia Internacional da Paz (isso para não falarmos na carnificina de Gaza), é uma ótima oportunidade para trazermos a gentileza de volta para as ruas, lares e escritórios. Para as nossas vidas.
“Gentileza gera gentileza”, dizia o “profeta” que após o dramático incêndio do “Gran Circus Norte-Americano”, em Niterói (1961), deixou de ser José Datrino para se transformar em Gentileza. Convencido de que tinha uma grande missão no mundo, passou quase trinta anos pregando palavras de amor e solidariedade Nas rodoviárias, trens e praças do Rio de Janeiro, nas barcas Rio-Niterói e escrevendo palavras contra o sistema capitalista e de solidariedade nos muros da cidade. Com sua túnica branca e cabelos e barbas longas, definia-se como amansador dos burros homens da cidade.
Mas, infelizmente, o milagre que o Brasil queria não era o da gentileza. A sedução do “progresso de fachada” dos arranha-céus e rodovias, dos automóveis e eletrodomésticos, desviou a atenção da tropa das palavras gentis de “José Agradecido” e o milagre do progresso trouxe consigo a perda da ternura. Seduzido pelo poder do capital, raiz de toda a perversidade do mundo, segundo o profeta, o país caminhou em sentido oposto aos propostos pelo semeador da gentileza, mergulhando nas benesses do milagroso crescimento e na paz sem voz das fardas e esquadrões.
Gentileza se transformou em personagem pitoresco, mais um entre tantos, cuja figura excêntrica fez mais sucesso que a força de suas palavras. Quando morreu em 96, antes ainda tentou convencer líderes mundiais, que visitaram o Rio no Eco 92, da importância da gentileza para a paz mundial, o Rio já vivia a guerra patética das tropas e comandos e a ignorância individualista já era um pensamento corrente tanto na casa grande quanto na senzala. Pouco depois de sua morte, em nome do progresso, os muros onde estavam grafadas suas mensagens de amor e paz foram pintados. De cinza.
Hoje, nos tempos cinzentos de individualismo e isolamento, de pânico e barbárie, em que pensar em um sistema diferente do capitalismo corporativista é uma heresia digna de fogueira, a imagem de um dos homens mais ajuizados que esteve entre nós é tida como a figura de um louco. É uma pena que o Brasil não tenha enlouquecido com ele. Afinal, o mundo de Gentileza, um mundo de desapego aos bens materiais e ternura entre os homens, muito parecido com os idealizados por Cristo, Gandhi e Tolstoi (outros que são lembrados mais pela forma que pelo conteúdo), é muito mais lúcido que o mundo bárbaro para o qual os tecnocratas, publicitários e banqueiros nos empurraram.
Tomara, meu Deus tomara que em 2009, assim como o jardim plantado pelo profeta no terreno onde se deu a tragédia circense, a gentileza floresça e gere gentileza com a mesma intensidade com que proliferou o individualismo burro.
Enquanto isso não acontece, resta-nos acompanhar as atrocidades cotidianas nos obituários televisivos (“Todo dia você lê jornal, ouve rádio, televisão, só vê barbaridade: é crime, é assalto, é seqüestro, é vício, nudez, devassidão, fome e guerra.”) e ouvirmos, cheios de pavor, o lamento de Marisa Monte:
“...só ficou no muro tristeza e tinta fresca...”
Saudades de Gentileza. Saudades da gentileza.
O início de um novo ano, com direito a arrastões, quebra-quebras, saques e espancamentos em pleno Dia Internacional da Paz (isso para não falarmos na carnificina de Gaza), é uma ótima oportunidade para trazermos a gentileza de volta para as ruas, lares e escritórios. Para as nossas vidas.
“Gentileza gera gentileza”, dizia o “profeta” que após o dramático incêndio do “Gran Circus Norte-Americano”, em Niterói (1961), deixou de ser José Datrino para se transformar em Gentileza. Convencido de que tinha uma grande missão no mundo, passou quase trinta anos pregando palavras de amor e solidariedade Nas rodoviárias, trens e praças do Rio de Janeiro, nas barcas Rio-Niterói e escrevendo palavras contra o sistema capitalista e de solidariedade nos muros da cidade. Com sua túnica branca e cabelos e barbas longas, definia-se como amansador dos burros homens da cidade.
Mas, infelizmente, o milagre que o Brasil queria não era o da gentileza. A sedução do “progresso de fachada” dos arranha-céus e rodovias, dos automóveis e eletrodomésticos, desviou a atenção da tropa das palavras gentis de “José Agradecido” e o milagre do progresso trouxe consigo a perda da ternura. Seduzido pelo poder do capital, raiz de toda a perversidade do mundo, segundo o profeta, o país caminhou em sentido oposto aos propostos pelo semeador da gentileza, mergulhando nas benesses do milagroso crescimento e na paz sem voz das fardas e esquadrões.
Gentileza se transformou em personagem pitoresco, mais um entre tantos, cuja figura excêntrica fez mais sucesso que a força de suas palavras. Quando morreu em 96, antes ainda tentou convencer líderes mundiais, que visitaram o Rio no Eco 92, da importância da gentileza para a paz mundial, o Rio já vivia a guerra patética das tropas e comandos e a ignorância individualista já era um pensamento corrente tanto na casa grande quanto na senzala. Pouco depois de sua morte, em nome do progresso, os muros onde estavam grafadas suas mensagens de amor e paz foram pintados. De cinza.
Hoje, nos tempos cinzentos de individualismo e isolamento, de pânico e barbárie, em que pensar em um sistema diferente do capitalismo corporativista é uma heresia digna de fogueira, a imagem de um dos homens mais ajuizados que esteve entre nós é tida como a figura de um louco. É uma pena que o Brasil não tenha enlouquecido com ele. Afinal, o mundo de Gentileza, um mundo de desapego aos bens materiais e ternura entre os homens, muito parecido com os idealizados por Cristo, Gandhi e Tolstoi (outros que são lembrados mais pela forma que pelo conteúdo), é muito mais lúcido que o mundo bárbaro para o qual os tecnocratas, publicitários e banqueiros nos empurraram.
Tomara, meu Deus tomara que em 2009, assim como o jardim plantado pelo profeta no terreno onde se deu a tragédia circense, a gentileza floresça e gere gentileza com a mesma intensidade com que proliferou o individualismo burro.
Enquanto isso não acontece, resta-nos acompanhar as atrocidades cotidianas nos obituários televisivos (“Todo dia você lê jornal, ouve rádio, televisão, só vê barbaridade: é crime, é assalto, é seqüestro, é vício, nudez, devassidão, fome e guerra.”) e ouvirmos, cheios de pavor, o lamento de Marisa Monte:
“...só ficou no muro tristeza e tinta fresca...”
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
CRIANÇARTE
A criança trabalha.
Arquiteta sua arte com areia e água. Água e sal. Brinquedos. Trabalha com o sol, com o vento e com os aromas. Sua arte possui uma estética própria. Não se prende às regras ou convenções. Constrói para desconstruir e recomeçar.
Do castelo surgem cidades, alegrias, mares e pontes. Sonhos que guiam a breve brincadeira. Depois de sonhar, desconstruir e recomeçar. Não importam as opiniões, - “Que lindo!”, “Esse tá feio, faz de novo” - o sentido é apenas o jogo de fazer e desfazer. Sem linhas retas. Sem princípio nem fim. Sem deus nem dúvidas. Livre de conceitos ou pretensões. Apenas criar. Divertir-se. Preencher-se. Viver.
Ama sem racionalizar o amor. Vive sem saber que morre. Aprende sem saber que ensina. Ilumina inconsciente de sua luz. É rei na sua anarquia. Paz sem sombra de guerra.
O mundo do concreto ainda lhe é estranho. Seu contato maior é com o mundo dos sentidos. Com o sensorial. Que lembranças ainda trará do mundo uterino? Quais sobreviverão à permanente erosão causada pelas chuvas de opiniões externas? Quais sucumbirão?
Sua brincadeira é arte. Liberdade. Dionísio sem Apolo. É Hermeto e seus experimentos. Van Gogh e suas tintas. Seus amarelos. Tom Zé e seus instrumentos. A roda de Duchamp. As pedaladas de Robinho. A pedra no caminho de Drummond. Não há perpetuação. Nada está estabelecido e a beleza é um momento fugaz. Despretensioso. Lança mundos em um mundo que não se sabe mundo. Um universo paralelo. Um paraíso artificial.
Chegará o dia da expulsão do paraíso do livre pensamento e ela será condenada a vagar pelo mundo dos pensamentos pré-concebidos? Trocará sua livre expressão pelo raciocínio pré-estabelecido pelas religiões, ideologias e os grandes meios de idiotização? Ou conseguirá matar o minotauro da ganância e, guiando-se pelo novelo da evolução, escapar do labirinto do individualismo e da ignorância?
De suas decisões depende o mundo. A nossa esperança de futuro. “Vinde a mim as criancinhas”. Só um mundo formado pela autonomia da imaginação infantil será capaz de sobreviver. De lançar novas alternativas ao modelo arcaico dessa socialização violenta sempre em busca da homogeneidade. Só uma geração de erês será capaz de varrer as teias de aranha do mundo uniforme das guerras e destruições e plantar as sementes de gentileza e diversidade.
Como um Deus criança, ela brinca de criar. Cria significante e significados. Céus e estrelas. Amigos e seres. Fonemas e ritmos. Mágicas e receitas. Transforma a panela em chapéu, a areia em castelo, bicho em gente, idoso em criança, açúcar em sal, meia em bola.
Os adultos observam.
Brincam de pais. Brincam de educar. Brincam que a vida é séria e que a idade, por si só, traz sabedoria.
A criança ri.
* Publicado também no blog dulixo ( http://dulixo13.blogspot.com/2008/11/crianarte.html)
Arquiteta sua arte com areia e água. Água e sal. Brinquedos. Trabalha com o sol, com o vento e com os aromas. Sua arte possui uma estética própria. Não se prende às regras ou convenções. Constrói para desconstruir e recomeçar.
Do castelo surgem cidades, alegrias, mares e pontes. Sonhos que guiam a breve brincadeira. Depois de sonhar, desconstruir e recomeçar. Não importam as opiniões, - “Que lindo!”, “Esse tá feio, faz de novo” - o sentido é apenas o jogo de fazer e desfazer. Sem linhas retas. Sem princípio nem fim. Sem deus nem dúvidas. Livre de conceitos ou pretensões. Apenas criar. Divertir-se. Preencher-se. Viver.
Ama sem racionalizar o amor. Vive sem saber que morre. Aprende sem saber que ensina. Ilumina inconsciente de sua luz. É rei na sua anarquia. Paz sem sombra de guerra.
O mundo do concreto ainda lhe é estranho. Seu contato maior é com o mundo dos sentidos. Com o sensorial. Que lembranças ainda trará do mundo uterino? Quais sobreviverão à permanente erosão causada pelas chuvas de opiniões externas? Quais sucumbirão?
Sua brincadeira é arte. Liberdade. Dionísio sem Apolo. É Hermeto e seus experimentos. Van Gogh e suas tintas. Seus amarelos. Tom Zé e seus instrumentos. A roda de Duchamp. As pedaladas de Robinho. A pedra no caminho de Drummond. Não há perpetuação. Nada está estabelecido e a beleza é um momento fugaz. Despretensioso. Lança mundos em um mundo que não se sabe mundo. Um universo paralelo. Um paraíso artificial.
Chegará o dia da expulsão do paraíso do livre pensamento e ela será condenada a vagar pelo mundo dos pensamentos pré-concebidos? Trocará sua livre expressão pelo raciocínio pré-estabelecido pelas religiões, ideologias e os grandes meios de idiotização? Ou conseguirá matar o minotauro da ganância e, guiando-se pelo novelo da evolução, escapar do labirinto do individualismo e da ignorância?
De suas decisões depende o mundo. A nossa esperança de futuro. “Vinde a mim as criancinhas”. Só um mundo formado pela autonomia da imaginação infantil será capaz de sobreviver. De lançar novas alternativas ao modelo arcaico dessa socialização violenta sempre em busca da homogeneidade. Só uma geração de erês será capaz de varrer as teias de aranha do mundo uniforme das guerras e destruições e plantar as sementes de gentileza e diversidade.
Como um Deus criança, ela brinca de criar. Cria significante e significados. Céus e estrelas. Amigos e seres. Fonemas e ritmos. Mágicas e receitas. Transforma a panela em chapéu, a areia em castelo, bicho em gente, idoso em criança, açúcar em sal, meia em bola.
Os adultos observam.
Brincam de pais. Brincam de educar. Brincam que a vida é séria e que a idade, por si só, traz sabedoria.
A criança ri.
* Publicado também no blog dulixo ( http://dulixo13.blogspot.com/2008/11/crianarte.html)
ABRAÇO NA LAGOA (15/11/08)
Sábado, 15 de novembro, aniversário da Proclamação da República.
Dia de cidadania. Dia de abraçarmos a lagoa da saudade.
Dia de reinvidicarmos esclarecimentos sobre as torres que serão erguidas "na cara" do nosso patrimonio.
Para que Santos continue linda vamos dar aquele abraço na lagoa.
Sábado, 15 de novembro às 16 horas
E quem ainda não assinou a petição, assine:
http://www.petitiononline.com/soslagoa/petition-sign.html
Dia de cidadania. Dia de abraçarmos a lagoa da saudade.
Dia de reinvidicarmos esclarecimentos sobre as torres que serão erguidas "na cara" do nosso patrimonio.
Para que Santos continue linda vamos dar aquele abraço na lagoa.
Sábado, 15 de novembro às 16 horas
E quem ainda não assinou a petição, assine:
http://www.petitiononline.com/soslagoa/petition-sign.html
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
PROGRESSO
No meio da esperteza internacional
a cidade até que não está tão mal
E a situação sempre mais ou menos
Sempre uns com mais e outros com menos
(Chico Science/A cidade)
O que é o progresso? Qual o real significado desse termo tão freqüente na vida dos brasileiros, presente inclusive em nossa bandeira?
O dicionário Caldas Aulete traz em seu verbete “progresso” (no sentido que trataremos) o seguinte significado: Processo de crescimento e enriquecimento de uma região, um país etc.; desenvolvimento.
Segundo o senso comum uma pessoa que progride é aquela que atinge uma boa situação financeira e social, ou seja, consegue emprego estável, “mora bem”, possui carro do ano (objeto de primeira necessidade), plano de saúde, adquiri certo grau de instrução, viaja nas férias e freqüenta cinemas, teatros, restaurantes, etc.
Acontece que trabalho, educação, moradia, saúde e lazer de qualidade são direitos sociais assegurados a todos pela Constituição brasileira. Sendo assim, como pode alguém progredir porque conseguiu uma posição que deveria ser o seu ponto de partida? Ora, se uma sociedade vê como progresso o acesso a direitos que a carta magna do país garante a todos é porque boa parte da população não tem seus direitos validados. Ou seja, o poder público não dá conta dos direitos sociais elementares da população.
Como podemos pensar em progresso antes de suprirmos essa deficiência? Ou melhor, antes de fazermos valer nossa própria Constituição? Pior ainda, como podemos entender como progresso projetos que além de não colaborarem em nada para tais direitos vão no sentido oposto, comprometendo a qualidade de vida de parte da população dificultando o fornecimento de serviços básicos como o fornecimento de água por exemplo?
Como já dizia Fernando Sabino, “democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida, quanto ao ponto de chegada, depende de cada um”; portanto não será possível construirmos uma nação livre, justa e solidária enquanto todos não partirem do mesmo ponto.
Numa época em que a consciência ecológica, a luta pela preservação da natureza e o cuidado com o meio ambiente estão cada vez mais presentes, e, a cada dia, mais urgentes, será possível que alguém ainda entenda uma obra responsável por desmatamento, afugentamento de fauna e degradação ambiental como sinônimo de progresso?
O médico, antropólogo, sociólogo e escritor pernambucano Josué de Castro (uma das mentes mais brilhantes do nosso país no século passado e que – talvez em virtude de - permanece desconhecido para a grande maioria da nossa população) escreveu um ensaio essencial para entendermos a questão do desenvolvimento, ou seja, do progresso:
...” falso é o conceito de desenvolvimento avaliado unicamente à base da expansão da riqueza material, do crescimento econômico. O desenvolvimento implica mudanças sociais sucessivas e profundas, que acompanham inevitavelmente as transformações tecnológicas do contorno natural. O conceito de desenvolvimento não é meramente quantitativo, mas compreende os aspectos qualitativos dos grupos humanos a que concerne. Crescer é uma coisa; desenvolver é outra. Crescer é; em linhas gerais, fácil. Desenvolver equilibradamente, difícil...”
E concluiu dizendo:
“Só há um tipo de verdadeiro desenvolvimento: o desenvolvimento do homem. O homem, fator de desenvolvimento, o homem beneficiário do desenvolvimento. É o cérebro do homem a fábrica de desenvolvimento. É a vida do homem que deve desabrochar pela utilização dos produtos postos à sua disposição pelo desenvolvimento.”
Em nome do desenvolvimento da cidade de Santos, eu apelo para o prefeito Papa e para a Câmara de vereadores que revejam a “lei de uso e ocupação do solo” e peço mais uma vez aos santistas que querem ver o progresso (real, não de fachada) da nossa cidade que assinem a petição criada pelo grupo S.O.S. Lagoa que solicita esclarecimentos quanto às prováveis conseqüências advindas das torres que serão (?) construídas no morro da Nova Cintra em frente à Lagoa da Saudade, afinal não é possível que a vida dos moradores do local, e de todos os santistas (a Lagoa e a área verde dos morros são patrimônio ecológico da cidade) seja prejudicada simplesmente para atender aos interesses de uma minoria.
http://www.petitiononline.com/soslagoa/petition-sign.html
a cidade até que não está tão mal
E a situação sempre mais ou menos
Sempre uns com mais e outros com menos
(Chico Science/A cidade)
O que é o progresso? Qual o real significado desse termo tão freqüente na vida dos brasileiros, presente inclusive em nossa bandeira?
O dicionário Caldas Aulete traz em seu verbete “progresso” (no sentido que trataremos) o seguinte significado: Processo de crescimento e enriquecimento de uma região, um país etc.; desenvolvimento.
Segundo o senso comum uma pessoa que progride é aquela que atinge uma boa situação financeira e social, ou seja, consegue emprego estável, “mora bem”, possui carro do ano (objeto de primeira necessidade), plano de saúde, adquiri certo grau de instrução, viaja nas férias e freqüenta cinemas, teatros, restaurantes, etc.
Acontece que trabalho, educação, moradia, saúde e lazer de qualidade são direitos sociais assegurados a todos pela Constituição brasileira. Sendo assim, como pode alguém progredir porque conseguiu uma posição que deveria ser o seu ponto de partida? Ora, se uma sociedade vê como progresso o acesso a direitos que a carta magna do país garante a todos é porque boa parte da população não tem seus direitos validados. Ou seja, o poder público não dá conta dos direitos sociais elementares da população.
Como podemos pensar em progresso antes de suprirmos essa deficiência? Ou melhor, antes de fazermos valer nossa própria Constituição? Pior ainda, como podemos entender como progresso projetos que além de não colaborarem em nada para tais direitos vão no sentido oposto, comprometendo a qualidade de vida de parte da população dificultando o fornecimento de serviços básicos como o fornecimento de água por exemplo?
Como já dizia Fernando Sabino, “democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida, quanto ao ponto de chegada, depende de cada um”; portanto não será possível construirmos uma nação livre, justa e solidária enquanto todos não partirem do mesmo ponto.
Numa época em que a consciência ecológica, a luta pela preservação da natureza e o cuidado com o meio ambiente estão cada vez mais presentes, e, a cada dia, mais urgentes, será possível que alguém ainda entenda uma obra responsável por desmatamento, afugentamento de fauna e degradação ambiental como sinônimo de progresso?
O médico, antropólogo, sociólogo e escritor pernambucano Josué de Castro (uma das mentes mais brilhantes do nosso país no século passado e que – talvez em virtude de - permanece desconhecido para a grande maioria da nossa população) escreveu um ensaio essencial para entendermos a questão do desenvolvimento, ou seja, do progresso:
...” falso é o conceito de desenvolvimento avaliado unicamente à base da expansão da riqueza material, do crescimento econômico. O desenvolvimento implica mudanças sociais sucessivas e profundas, que acompanham inevitavelmente as transformações tecnológicas do contorno natural. O conceito de desenvolvimento não é meramente quantitativo, mas compreende os aspectos qualitativos dos grupos humanos a que concerne. Crescer é uma coisa; desenvolver é outra. Crescer é; em linhas gerais, fácil. Desenvolver equilibradamente, difícil...”
E concluiu dizendo:
“Só há um tipo de verdadeiro desenvolvimento: o desenvolvimento do homem. O homem, fator de desenvolvimento, o homem beneficiário do desenvolvimento. É o cérebro do homem a fábrica de desenvolvimento. É a vida do homem que deve desabrochar pela utilização dos produtos postos à sua disposição pelo desenvolvimento.”
Em nome do desenvolvimento da cidade de Santos, eu apelo para o prefeito Papa e para a Câmara de vereadores que revejam a “lei de uso e ocupação do solo” e peço mais uma vez aos santistas que querem ver o progresso (real, não de fachada) da nossa cidade que assinem a petição criada pelo grupo S.O.S. Lagoa que solicita esclarecimentos quanto às prováveis conseqüências advindas das torres que serão (?) construídas no morro da Nova Cintra em frente à Lagoa da Saudade, afinal não é possível que a vida dos moradores do local, e de todos os santistas (a Lagoa e a área verde dos morros são patrimônio ecológico da cidade) seja prejudicada simplesmente para atender aos interesses de uma minoria.
http://www.petitiononline.com/soslagoa/petition-sign.html
sábado, 25 de outubro de 2008
S.O.S. LAGOA
Cinco torres com 14 andares.
Esse é o novo empreendimento imobiliário (quanta bobagem!) da cidade de Santos endossado pelo "herói" Papa e seus vereadores como "obra de interesse social".
Sabem aonde?
No Morro da Nova Cintra.
E como se não bastasse o caos viário e de qualidade de vida (haverá água para todos no verão? e o esgoto?) que o "complexo" irá causar no local (só vejo vantagem para a construtora) ainda tem um outro detalhe: o "residencial" fica em frente à Lagoa da Saudade.
Quer dizer: numa época em que nunca se falou tanto de preservação do meio ambiente, o governo santista aprova um projeto, repito: sob a alegação que é de interesse social, responsável pelo desmatamento de área verde no morro, além de afugentamento de fauna e degradação da lagoa.
Isso é de interesse social?
Prejudicar um ponto turístico do nível da lagoa (que sabe-se lá porque, não é considerada como tal), a nossa população e os turistas da cidade (mesmo se muitos chegam e partem daqui sem saber da existencia de tal ponto) a troco de que?
O que fazer?
Assistir ao levantamento das cinco torres resmungando?
Esperar novas propagandas e continuar a fingir que a nossa cidade é a que vemos na publicidade?
Pedir um terceiro mandato para o Papa?
O S.O.S. Lagoa (um grupo formado para defender a Lagoa da saudade de tal empreendimento) está fazendo circular um abaixo-assinado para o Ministério Público para que sejam promovidas audiências públicas junto aos moradores do Morro da Nova Cintra e de Santos, para detalhar e rever os estudos existentes, apresentando esclarecimentos sobre os impactos ambientais na vizinhança e no trânsito decorrentes deste empreendimento.
Há um projeto para a revisão da "Lei de uso do solo" na cidade,mas os vereadores governistas (muitos deles reeleitos) esvaziaram a última sessão evitando assim a votação.
Vamos assinar enquanto ainda há tempo (será?):
http://www.petitiononline.com/soslagoa/petition-sign.html
Para quem quer saber mais sobre o S.O.S. Lagoa e os efeitos que essa nova trapalhada pode causar:
http://soslagoa.com.br/blog/
Esse é o novo empreendimento imobiliário (quanta bobagem!) da cidade de Santos endossado pelo "herói" Papa e seus vereadores como "obra de interesse social".
Sabem aonde?
No Morro da Nova Cintra.
E como se não bastasse o caos viário e de qualidade de vida (haverá água para todos no verão? e o esgoto?) que o "complexo" irá causar no local (só vejo vantagem para a construtora) ainda tem um outro detalhe: o "residencial" fica em frente à Lagoa da Saudade.
Quer dizer: numa época em que nunca se falou tanto de preservação do meio ambiente, o governo santista aprova um projeto, repito: sob a alegação que é de interesse social, responsável pelo desmatamento de área verde no morro, além de afugentamento de fauna e degradação da lagoa.
Isso é de interesse social?
Prejudicar um ponto turístico do nível da lagoa (que sabe-se lá porque, não é considerada como tal), a nossa população e os turistas da cidade (mesmo se muitos chegam e partem daqui sem saber da existencia de tal ponto) a troco de que?
O que fazer?
Assistir ao levantamento das cinco torres resmungando?
Esperar novas propagandas e continuar a fingir que a nossa cidade é a que vemos na publicidade?
Pedir um terceiro mandato para o Papa?
O S.O.S. Lagoa (um grupo formado para defender a Lagoa da saudade de tal empreendimento) está fazendo circular um abaixo-assinado para o Ministério Público para que sejam promovidas audiências públicas junto aos moradores do Morro da Nova Cintra e de Santos, para detalhar e rever os estudos existentes, apresentando esclarecimentos sobre os impactos ambientais na vizinhança e no trânsito decorrentes deste empreendimento.
Há um projeto para a revisão da "Lei de uso do solo" na cidade,mas os vereadores governistas (muitos deles reeleitos) esvaziaram a última sessão evitando assim a votação.
Vamos assinar enquanto ainda há tempo (será?):
http://www.petitiononline.com/soslagoa/petition-sign.html
Para quem quer saber mais sobre o S.O.S. Lagoa e os efeitos que essa nova trapalhada pode causar:
http://soslagoa.com.br/blog/
terça-feira, 14 de outubro de 2008
RECICLAGEM
Escrevi "Reciclagem" como homenagem - e total adesão - ao trabalho feito pelo meu amigo Jefferson Tubarão e seu blog dulixo. A rapaziada faz um trabalho nas escolas e periferias ensinando as crianças a transformarem lixo em arte (não arte em lixo como está na moda) além de manterem o blog aonde dão espaço para artistas que não têm espaço. Quem quiser saber mais sobre o belo trabalho dessa galera é só acessar: http://dulixo13.blogspot.com/
RECICLAGEM
Do esperma reciclado faz-se vida;
Do arroz reciclado faz-se bolinho;
Da careta reciclada faz-se riso;
Do vírus reciclado faz-se vacina;
Do novelo reciclado faz-se casaco;
Da areia reciclada faz-se castelo;
Do louco reciclado faz-se gênio;
Do discípulo reciclado faz-se mestre;
Do inverno reciclado faz-se primavera;
Da erva reciclada faz-se chá;
Do country reciclado faz-se rock;
Do almoço reciclado faz-se jantar;
Do sapo reciclado faz-se príncipe;
Da debutante reciclada faz-se noiva;
Da paisagem reciclada faz-se quadro
E do lixo reciclado faz-se arte;
Arte do lixo,
Criatividade reciclada
Apartando arte de lixo
Extraímos do lixo a arte.
Publicado também no blog dulixo (http://dulixo13.blogspot.com/2008/10/palavras-de-uma-mente-reciclada.html)
RECICLAGEM
Do esperma reciclado faz-se vida;
Do arroz reciclado faz-se bolinho;
Da careta reciclada faz-se riso;
Do vírus reciclado faz-se vacina;
Do novelo reciclado faz-se casaco;
Da areia reciclada faz-se castelo;
Do louco reciclado faz-se gênio;
Do discípulo reciclado faz-se mestre;
Do inverno reciclado faz-se primavera;
Da erva reciclada faz-se chá;
Do country reciclado faz-se rock;
Do almoço reciclado faz-se jantar;
Do sapo reciclado faz-se príncipe;
Da debutante reciclada faz-se noiva;
Da paisagem reciclada faz-se quadro
E do lixo reciclado faz-se arte;
Arte do lixo,
Criatividade reciclada
Apartando arte de lixo
Extraímos do lixo a arte.
Publicado também no blog dulixo (http://dulixo13.blogspot.com/2008/10/palavras-de-uma-mente-reciclada.html)
sábado, 11 de outubro de 2008
100 CARTOLA
Dia 11 de outubro de 2008. Dia de o Brasil comemorar cem anos de nascimento de Angenor de Oliveira, o Cartola.
Um século de Cartola. Um século de poesia verde e rosa. De seu samba cadenciado. Um século do divino cavalheiro.
Cartola foi o verdadeiro poeta marginal. Era o malandro daquela tal malandragem que Chico Buarque constatou já há muito tempo que não existe mais. Sempre viveu à margem da sociedade que o consumiu, só gravou o primeiro LP aos 65 anos e nunca entendeu como uma música (para ele compor era tão natural quanto qualquer necessidade fisiológica) podia ser comercializada. Vendeu suas composições sempre a preço de banana. Quantas belas músicas creditadas a outros compositores não saíram da mesma cabeça que criou “As rosas não falam”?
Cartola era majestade. Sua poesia continha a altivez da realeza. Com suas tintas mostrou a beleza da alvorada do morro que transformou em sua sala de recepção, com seu olhar arguto ensinou que o mundo é um moinho triturador de sonhos mesquinhos, que todo pranto tem sua hora e que é negra toda a tristeza nessa vida. Seu samba fez escola Em 1980 decidiu andar e foi por aí...talvez esteja atravessando todo o universo com a mesma roupagem que saiu daqui.
Seu destino foi parecido com o de outros mestres (como Van Gogh e Fernando Pessoa) e tantos artistas: o de não obter conforto material com o dinheiro de suas obras.
Como bem definiu Nelson Sargento, “o Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve.”.
Hoje o sonho faz um século.
Um século de Cartola. Um século de poesia verde e rosa. De seu samba cadenciado. Um século do divino cavalheiro.
Cartola foi o verdadeiro poeta marginal. Era o malandro daquela tal malandragem que Chico Buarque constatou já há muito tempo que não existe mais. Sempre viveu à margem da sociedade que o consumiu, só gravou o primeiro LP aos 65 anos e nunca entendeu como uma música (para ele compor era tão natural quanto qualquer necessidade fisiológica) podia ser comercializada. Vendeu suas composições sempre a preço de banana. Quantas belas músicas creditadas a outros compositores não saíram da mesma cabeça que criou “As rosas não falam”?
Cartola era majestade. Sua poesia continha a altivez da realeza. Com suas tintas mostrou a beleza da alvorada do morro que transformou em sua sala de recepção, com seu olhar arguto ensinou que o mundo é um moinho triturador de sonhos mesquinhos, que todo pranto tem sua hora e que é negra toda a tristeza nessa vida. Seu samba fez escola Em 1980 decidiu andar e foi por aí...talvez esteja atravessando todo o universo com a mesma roupagem que saiu daqui.
Seu destino foi parecido com o de outros mestres (como Van Gogh e Fernando Pessoa) e tantos artistas: o de não obter conforto material com o dinheiro de suas obras.
Como bem definiu Nelson Sargento, “o Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve.”.
Hoje o sonho faz um século.
Assinar:
Postagens (Atom)
